Thiago Carpini aponta o que gerou “desgaste” com a torcida do Fortaleza
Thiago Carpini voltou a falar sobre os bastidores de sua passagem pelo Fortaleza e…

Thiago Carpini voltou a falar sobre os bastidores de sua passagem pelo Fortaleza e apontou um choque entre a identidade construída pelo clube nos últimos anos e o estilo de jogo que pretendia implementar no Pici. Em entrevista ao podcast Denílson Show, o treinador afirmou que encontrou dificuldades para adaptar suas ideias ao cenário deixado pelo rebaixamento à Série B.
Na avaliação do ex-comandante, a queda de divisão aconteceu depois de um longo período de protagonismo do Fortaleza, criando uma ruptura significativa justamente no momento em que assumiu o cargo.
“Onde eu mais enfrentei isso foi no Fortaleza, por todas as circunstâncias de rebaixamento, de troca de comando. E foi um comando que perdurou por sete, oito anos, com excelentes campanhas, conquistas importantes, final de Sul-Americana, Libertadores, e teve uma quebra muito grande na minha vez.”

Carpini aponta choque de estilos no Fortaleza
Contratado no fim de dezembro de 2025, Carpini chegou ao Pici com a missão de conduzir o projeto de retorno à Série A. O treinador, entretanto, acredita que encontrou uma torcida acostumada a uma forma diferente de ver o Fortaleza jogar.
Ao falar sobre o período de Juan Pablo Vojvoda, Carpini classificou a equipe como muito eficiente em um modelo reativo, citando nomes como Breno Lopes, Moisés, Herrera e Lucero. A intenção do novo treinador era modificar algumas dessas características e construir uma equipe com maior controle por meio da posse de bola.
“Mudar um pouco essa ideia e ter um pouco mais a bola, de controlar o jogo, de não ser um time toda hora de transição, isso gerou um pouco de desgaste, né?”
Carpini acredita que a expectativa por um Fortaleza constantemente vertical e agressivo entrou em conflito com a proposta que tentava desenvolver.
“O torcedor quer toda hora aquele futebol ofensivo e de terminar a jogada rápido e, às vezes, não ter uma posse, que é uma coisa que eu gosto de trabalhar um pouco mais, de controlar um pouco mais o jogo com a bola.”
“Alguém também tem que proteger a escolha”
As críticas ao futebol apresentado acompanharam boa parte da passagem de Carpini. Mesmo assim, o treinador conquistou o Campeonato Cearense, foi vice da Copa do Nordeste e manteve o Fortaleza na disputa pelas primeiras posições da Série B.
O ex-comandante também levou o Leão às oitavas de final da Copa do Brasil e terminou o primeiro turno da Segundona na quinta colocação, com 31 pontos. Para Carpini, entretanto, implementar uma mudança de identidade exige respaldo para que o treinador consiga atravessar períodos de maior pressão.
“Essa dificuldade é muito grande. E aí eu acho que entra de novo uma questão que vem de cima para baixo. Alguém também tem que proteger a escolha que foi o treinador e as ideias que ele está implementando.”
A declaração se soma a outra revelação feita pelo treinador durante a entrevista. Carpini afirmou que, diante da pressão por resultados, chegou a abrir mão de conceitos e convicções próprias para tentar “sobreviver a cada rodada” no comando tricolor.
Carpini deixou Fortaleza após sete meses
Apesar dos resultados conquistados, o trabalho não teve a longevidade esperada. Carpini acabou desligado cerca de sete meses depois de assumir o Fortaleza. De acordo com os números apresentados, foram 45 partidas, com 24 vitórias, 11 empates e dez derrotas. Meses após deixar o Pici, o treinador avalia que sua passagem aconteceu justamente em meio a uma quebra de ciclo.
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