Thiago Carpini detona o Fortaleza: “Tive que abrir mão dos meus conceitos”
Ex-treinador do Fortaleza, Thiago Carpini abriu o jogo sobre os bastidores dos quase oito…

Ex-treinador do Fortaleza, Thiago Carpini abriu o jogo sobre os bastidores dos quase oito meses em que comandou o Tricolor. Em entrevista ao podcast Denílson Show, nesta segunda-feira (17), o técnico afirmou que precisou deixar de lado conceitos e convicções para tentar se manter no cargo diante da pressão por resultados.
Carpini chegou ao Pici em dezembro de 2025, contratado durante a gestão de Marcelo Paz, e deixou o clube em junho. No período, conquistou o Campeonato Cearense, foi vice-campeão da Copa do Nordeste e manteve o Leão durante praticamente toda sua passagem no G-6 da Série B.

Carpini relembra mudança no Fortaleza
Ao analisar o período no clube, Carpini destacou que o cenário encontrado após sua contratação acabou sendo diferente daquele apresentado durante as conversas iniciais. Pouco depois da chegada do treinador, Marcelo Paz deixou o Fortaleza para assumir uma função no Corinthians.
Posteriormente, Pedro Martins chegou ao Tricolor, dando início a uma nova metodologia de trabalho. Para Carpini, as mudanças aconteceram em um momento já delicado pela necessidade de reconstrução do clube após o rebaixamento.
“O resultado é o senhor da razão no futebol. Quando você ganha, a narrativa fica fácil, você conta a história que você quiser, mas a gente sabe que não é bem assim. E a gente se sustenta a cada jogo.”
O treinador também mencionou diretamente a mudança na direção.
“Eu enfrentei um cenário em que o clube vinha de um rebaixamento, em que a diretoria que me contratou, 15 dias depois, saiu e foi para o Corinthians, o Marcelo Paz com a diretoria dele.”
Carpini esperava projeto longo no Fortaleza
Um dos pontos destacados pelo ex-técnico foi a expectativa que tinha ao aceitar a proposta do Leão. Carpini revelou que enxergava o Fortaleza como uma oportunidade de construir um trabalho de longo prazo, principalmente pelos exemplos recentes de Rogério Ceni e Juan Pablo Vojvoda.
“Quando falava do Fortaleza, vinha na minha cabeça: Rogério Ceni, quatro anos; Vojvoda, quatro, cinco anos. Ou seja, eu tô buscando isso.”
Carpini revelou ainda que abriu mão da possibilidade de trabalhar na Série A para aceitar o projeto tricolor.
“Eu abri mão de uma Série A que estava muito próxima naquele momento para fazer um projeto mais longo. Foi tudo bem, não me arrependo de maneira nenhuma.”
“Tive que abrir mão dos meus conceitos”
A declaração mais forte de Carpini surgiu ao falar sobre o impacto do rebaixamento e das mudanças internas em seu trabalho. O treinador afirmou ter percebido que sua permanência dependeria diretamente dos resultados conquistados rodada após rodada. Diante desse cenário, admitiu ter colocado algumas de suas ideias de futebol em segundo plano.
“Eu senti que o rebaixamento é muito pesado e, com todas essas mudanças, eu precisava me sustentar no resultado. Enquanto eu estivesse ganhando, eu ficava.”
Na sequência, Carpini foi ainda mais enfático:
“Então, eu tive que abrir mão dos meus conceitos, das minhas convicções, daquilo em que eu acredito, para poder sobreviver a cada rodada. Esse foi o meu sentimento, enquanto treinador.”
Números de Carpini pelo Fortaleza
Apesar da saída antes do encerramento da temporada, Thiago Carpini terminou sua passagem pelo Pici com 61,4% de aproveitamento. Foram 42 partidas, com 22 vitórias, 11 empates e nove derrotas. O treinador também deixou o clube com o título do Campeonato Cearense e o vice-campeonato da Copa do Nordeste.
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